• Margarida Ferreira Pinto

Quem são realmente os mais afetados pela COVID-19?

Atualizado: Jun 5


O FMI chamou a esta crise “O Grande Confinamento” em comparação à crise de 1929, também conhecida por “A Grande Depressão”.

A este propósito, veja-se a manchete do Público de 14 de abril de 2020: “FMI: o Grande Confinamento será a pior recessão desde a Grande Depressão”.

Em boa verdade, o erro que muitos de nós cometemos durante a pandemia foi achar que, durante este período, estaríamos perante uma situação democrática que afetaria todos por igual.


A este respeito, pensemos nos trabalhadores que andam de transportes públicos todos os dias para se poderem deslocar para o trabalho e que decerto estarão mais expostos à doença da COVID-19.


Neste sentido, esta crise poderá ter como consequência o agravamento das igualdades sociais. Situação que, no meu entendimento, veio apenas acentuar uma tendência já existente.


De acordo com uma publicação do Editorial Financial Times de 5 de abril de 2020 “as vítimas da COVID-19 são sobretudo os idosos, mas as principais vítimas do confinamento são os jovens e os ativos, a quem foi pedido que suspendessem o processo educativo e que perderam rendimento precioso” .


Ou seja, apesar de muitos acharem que a COVID-19 afeta sobretudo os mais idosos, a verdade é que as principais vítimas do confinamento serão as pessoas ativas.


Por um lado, os que têm mais qualificação superior tiveram a oportunidade de, nos últimos meses, ficar em casa a fazer teletrabalho. Por outro lado, não obstante os medos e riscos que corriam, os trabalhadores menos qualificados foram forçados a continuar as suas rotinas laborais.


Face ao aumento do desemprego a um ritmo muito acelerado, o mercado de trabalho está atualmente reticente quanto a novas contratações. O que, em boa verdade, significará um número elevado de jovens com as suas vidas totalmente suspensas.


Sendo esta uma crise de caráter global, o que é certo é que a retoma será demorada em toda a zona Euro. Pelo que, a alternativa da emigração não poderá ser uma hipótese em cima da mesa, pelo menos, neste momento.


Enquanto não há certezas do futuro, aguardaremos todos (jovens e idosos) por dias melhores.

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