• Margarida Ferreira Pinto

Como impor tantas regras às crianças nas creches?

Atualizado: Mai 11


A abertura das creches está prevista para dia 18 de maio. Mas será esta abertura exequível com base nas recomendações da Direção-Geral da Saúde?


Exigir que as educadoras de infância controlem constantemente a distância física de dois metros entre as crianças parece-me, por um lado, de difícil aplicação e por isso extremamente surreal e, por outro, bastante limitador do seu desenvolvimento.


Dizer às crianças que devem evitar o toque em superfícies ou que não podem trocar brinquedos provavelmente não produzirá os efeitos esperados já que, com menos de três anos será natural que elas não assimilem estas regras, nem sejam capazes de praticar essas indicações com facilidade.


Impor que as educadoras e auxiliares usem máscara nas creches pode revelar-se extremamente agressivo para crianças que estão habituadas a ver o rosto das suas figuras de referência e que facilmente se assustarão. A nossa expressão facial e o carinho que demonstramos através da proximidade que mantemos com as crianças são essenciais na criação de vínculos afetivos. Poderíamos pensar na viseira como alternativa à máscara, mas todos sabemos que uma proteção não substitui a outra!


Face a este cenário, a meu ver, impraticável, será a reabertura das creches uma verdadeira alternativa?


Quanto a esta medida com regras ainda em discussão, parece-me fundamental conciliar a higiene e segurança da criança com o seu desenvolvimento harmonioso. Se as crianças apreendem as regras de forma diferente dos adultos, não as podemos tratar como se de adultos se tratassem.


Por fim, questiono-me sobre a necessidade da abertura das creches antes de outros estabelecimentos tendo em consideração que as crianças consubstanciam um foco de transmissão da COVID-19 e que a maior parte dos pais ainda está em casa obrigada a cumprir o teletrabalho.


Infelizmente, tudo leva a crer que, com a abertura das creches prevista, podemos correr sérios riscos de voltar ao confinamento e das crianças ficarem realmente prejudicadas.


Estaremos conscientes de todos esses riscos?

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